SIDEMOUNT OU BACKMOUNT - PARTE II


SIDEMOUNT OU BACKMOUNT ?

Parte II. A escolha no MERGULHO TÉCNICO.

Sidemount é a “solução para todos os meus problemas”? É tolice minha preferir o “backmount” para diversos mergulhos?

Aqui a briga, e a discussão, ganha mais importância. Imagens da Tek Divers Miniatures.

Quando abrangi em postagem anterior a melhor opção e escolha no MERGULHO RECREATIVO, entre uma configuração sidemount ou backmount, deixei claro minha opinião sobre as diferenças, e sugeri que cada mergulhador optasse por uma outra baseado em alguns pontos, a revisar: ADAPTAÇÃO, ACESSO AOS REGULADORES, PESO e ACESSO AOS ACESSÓRIOS, considerando sempre o mergulhador RECREATIVO, com BEM MENOS compromisso com estes aspectos, ao menos bem menos quando comparado com o MERGULHO TÉCNICO. Agora nós temos outros fatores - que inclusive diferenciam o MERGULHO TÉCNICO de outros tipos de mergulho - a considerar, e as diferenças passam a ser em diversos pontos, bem acentuadas, para quem escolhe uma ou outra configuração. Claro que começar numa ou outra configuração, a lembrar, entre sidemount e backmount (plate+harness+asa+adaptador), já no mergulho recreativo e evoluir para o mergulho técnico já habituado com a que escolheu, isto quando não se domina as duas (e vou falar disso mais abaixo), facilita absolutamente a "passagem de faixa" de um para outro tipo de mergulho. E dentro do mergulho técnico, podemos considerar ainda que a diferença é BRUTAL na escolha da configuração, entre o mergulho descompressivo e o de cavernas, ambos técnicos, por se tratar de teto, o primeiro "teto fisiológico" e o segundo "teto físico". E ainda tem o mergulho em naufrágio, técnico quando fora da presença de luz natural e podendo ser, como a caverna em treinamentos futuros, com teto também fisiológico, ou seja, mergulhos descompressivos em naufrágios e cavernas. Alguns aqui vão pensar: "ué, a configuração nestes três tipos de mergulho (descompressivo, caverna, naufrágio) não é pra ser a mesma, mudando alguns acessórios?". Pois é, era... Era até 2007, quando TODO MUNDO ENTRAVA NO MERGULHO TÉCNICO COM UMA DUPLA NAS COSTAS. Aí os caras adaptaram o colete sidemount (reconstruíram pra isso, na verdade), de uma TÉCNICA ESPECÍFICA PARA EXPLORAR CAVERNAS ONDE O MERGULHADOR NÃO PASSAVA NO BURACO COM A DUPLA NAS COSTAS, para ser usado em QUALQUER MERGULHO. O mesmíssimo que no século passado, anos 90 mais fortemente, quando os caras adaptaram ASA, ARREIOS E PLATE, que era ESPECÍFICO PARA MERGULHO TÉCNICO, para ser usado no mergulho recreativo. Se o side tivesse "apenas" sido adaptado para o mergulho recreativo, um cilindro, ou até dois mesmo, como ele era usado na caverna para se "emburacar" nas explorações, essa discussão só caberia no artigo anterior, a escolha no mergulho recreativo, sem complexidades, e muita gente, e eu me incluo nessa, usando o coletinho leve de side (os modelos atuais, evoluídos em pequeno tamanho e lift), para todo lado.

Olha eu usando um cilindrinho só em San Adrés, feliz da vida com o peso da criança e meu baixíssimo esforço lombar. Foto do amigo Idomar Cerutti.

Mas não... A galera, impulsionada aqui no Brasil (e lá fora foi EXATAMENTE igual) pelos instrutores que muitas vezes representavam ou ainda representam algumas marcas de coletes de side, e até mesmo fabricam ou ajudaram nos projetos diversos, já que estes mesmos caras, na maioria das vezes muito bons instrutores de mergulho técnico, foram os primeiros a ter acesso aos coletes específicos e desenhados de verdade para sidemount, e claro, trouxeram esta "novidade que veio dar na praia". Então, no melhor estilo Steve Jobs, começaram a criar demanda para o uso daquele "pão quente". Afinal, talvez junto com o LED de qualquer lanterna usada hoje em qualquer tipo de mergulho, e a GoPro que fez nossa atividade ser muito mais vista pelos nossos amigos, o sidemount veio chacoalhar um mercado que estava paradinho faz bastante tempo. Na mesmíssima vertente dos fabricantes e seus instrutores representantes, as agências certificadoras, mais rápido que para qualquer outra especialidade de mergulho anterior, desenharam seus cursos de "recreational sidemount", "intro to tech sidemount", "technical sidemount" e talvez o único que estava mais bem preparado para ser o primeiro da fila, o "cave sidemount". E mãe, me desculpe o uso feio da palavra, cagaram na cabeça dos mergulhadores ávidos por novidades (e quem mergulha e ensina mergulho sempre serão). Tem agência que o cara faz o curso de mergulhador sidemount, faz a quantidade absurda de QUATRO mergulhos em águas abertas, e aplica (manda uma documentação específica) e no dia seguinte é Sidemount Instructor... Bem, algumas pedem na aplicação um número maior de mergulhos com a configuração, é verdade, e já vi o cara fazer isso, mergulhar um pouco mais com o side em águas abertas, e logo em seguida dar aulas pra seus alunos de mergulho em caverna ou descompressivo, todo mundo com esta configuração.

Meme que encontrei em www.scubatechphilippines.com

NÃO ERA PARA COMPARAR O BACKMOUNT COM O SIDEMOUNT ? Sim, sim. Me empolguei. Mas porque se você leu o artigo anterior, lá no final eu informei uma coisa que é uma constatação ENTRE A MAIORIA ESMAGADORA dos instrutores de mergulho, e muitíssimos de seus alunos. O backmount tem uma adaptação bem mais rápida que o sidemount. Fora que se o instrutor opta por uma filosofia de configuração backmount - qualquer que seja - a que eu acho certa ou a que eu acho errada, não importa mesmo - numa classe com por exemplo quatro alunos, todos estarão exatamente iguais. Exemplo. No meu caso, usamos na Acquanauta e na NAUITEC a configuração NTEC, que apresentarei em algum artigo futuro com detalhes, que na verdade é muito próxima da configuração conhecida como DIR, e muito próxima da atual configuração SSI XR, entre outras, onde "basicamente menos é mais". Todos os alunos estarão com uma asa entre 40 e 50 libras, sem elásticos e com uma traquéia; arreios únicos no plate, com um d'ring em cada ombro, um d'ring no lado esquerdo da cintura, uma fita entre-pernas com um d'ring traseiro; lanterna primária na mão esquerda; lanternas reservas nas tiras abaixo dos d'rings dos ombros; cilindros duplos com manifold com isolador; posto direito com uma mangueira longa e a mangueira de power, posto esquerdo com a mangueira curta da gargantilha e manômetro (e mangueira da roupa seca se este for o caso). Pronto, tenho quatro alunos, não importa se um usa Halcyon, o outro Dive Rite, o outro Scubapro, o outro Hollis. TODOS terão uma configuração altamente compatível, do ponto de vista de como as coisas vão estar "grudadas" neles. No side, se cada um destes mesmos caras, optarem pelas mesmíssimas marcas citadas aleatoriamente neste último parágrafo, para um colete de side e seus reguladores, TODOS VÃO ESTAR DIFERENTES E MERGULHAR DIFERENTE, E BRIGAR (ATÉ SE ENTENDEREM) COM A FLUTUABILIDADE, A POSIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS (QUE INCLUEM LANTERNAS, LIFTS E/OU DECO MARKERS, OU CARRETILHAS), O TRIM E PRINCIPALMENTE, A SIMILARIDADE ENTRE OS CILINDROS E SUA POSIÇÃO ATÉ FICAREM O TEMPO TODO ALINHADOS AO TRONCO DO MERGULHADOR, DO LADO (porque a gente vê muito mais por aí cilindros bem desalinhados, ou os "frontmount" - caídos na frente do mergulhador). Isso porque a altura dos mergulhadores interfere, a posição do rig interfere, o tipo do rig interfere, o tipo e tamanho do mosquetão do rig interfere, os d'rings de cintura interferem, o elástico interfere muito, o butt plate que tem em alguns e não tem em outros interfere... e por aí vai. Uma historinha para ilustrar como é difícil ser um instrutor nesta situação (e pense como é difícil ser aluno então). Um papo num café da manhã no México, na Operadora Xibalba, em Tulum, agora em maio (2017), entre eu e o Robbie. Primeiro deixa eu apresentar o Robbie Schmittner: é o proprietário da Operadora, um dos maiores exploradores de cavernas do mundo, usuário ultra-mega-power-"móderfãqui" de side, instrutor claro, de mergulho em caverna, todas as especialidades. Eu: Robbie, cada ano que passa eu vejo aí no teu corredor de cilindros, mais de side, e menos duplas. Lembro que quando vim a primeira vez (isso foi há 8 anos) tinha a mesma quantidade, ou mesmo mais duplas que sides. Ele: Sim, é claro, aqui é o lugar do mundo para se mergulhar de side, cada vez descobrimos mais lugares onde só se chega de side. É natural que justo eu tenha mais cilindros de side que duplas. Fora o peso destas duplas...(risos). Eu: Mesmo assim, sempre terá de ter as duplas. Ele: vou te dizer algo que é muito importante, para eu ter estas duplas. Eu não dou mais nenhum curso de mergulho em cavernas com side. Pra aprender a mergulhar em cavernas, aprenda primeiro de duplas, depois aprenda a usar o side, porque é tão ou mais complexo que aprender a mergulhar em cavernas, e depois misture as duas coisas. Fiquei admirado. Justamente este cara estava dizendo algo que soa quase um impropério, quando sai da minha boca para os ouvidos de alguns amigos instrutores de caverna, e de side, claro. AS DIFERENÇAS, QUANDO UM É BOM, QUANDO O OUTRO É MELHOR Pelo que você leu até aqui, parece que está fácil "adivinhar" qual minha preferência. Mas é um engano, você vai ver. Mais engano ainda, é ter de escolher entre um ou outro. Em primeiro lugar, digo a todos que como líder de mergulho - e boa parte do que faço é um serviço de Divemaster, quando por exemplo embarco numa viagem como guia de turismo sub para meus mergulhadores, quando não há curso algum envolvido - a minha preferência atual, e cada vez mais, é por levar o meu colete e os meus reguladores configurados para SIDEMOUNT. Revisando as duas razões: 1) mais gás disponível. 2) menos peso, tanto para carregar na mala, como para aliviar minhas costas. Mas o assunto aqui é mergulho técnico. E mais uma vez, afirmo que esta é MINHA opinião. Prefiro ensinar qualquer nível de mergulho técnico, descompressivo, caverna e/ou naufrágios, com a configuração de duplas. Levo uma vantagem em relação a alguns concorrentes, e convido a todos eles a pensarem em fazer o mesmo (pois este curso existe em quase todas as credenciadoras, mas em quase todas não é obrigatório começar por ele). Na NAUITEC, sou OBRIGADO a ensinar primeiro um curso chamado INTRO TO TECH. Este curso não coloca ninguém sob nenhum tipo de teto, nem físico (sem cavernas ou penetrações em naufrágios), nem fisiológico (não se faz descompressão). Mas nele se ensina o que é FUNDAMENTAL para qualquer mergulhador técnico: uma eficiente, similar e forte configuração de equipamentos, uma consistente flutuabilidade, um sólido TRIM, e um grande "up" nas técnicas de deslocamento (pernadas de sapo e modificada, helicóptero e nado a ré). Aqui eu TENHO que ensinar e o aluno TEM que atingir um bom nível nestes 4 quesitos. E faço isso sem passar de 12 metros de profundidade, com bastante tempo para praticar e ainda na porção de água onde mais tem de se dominar a profundidade / flutuabilidade. Fora as 6 horas de água dentro da piscina, antes de levar o cara para águas abertas. Resultado prático disso: quando vou ensinar um aluno todas as amarrações de um mergulho em cavernas, ou as habilidades modificadas para este ambiente, como os protocolos de cabos, ou as saídas compartilhando gás, com e sem visibilidade, entre outras coisas. Ou a soltar um deco marker ou lift, retirar e recolocar, clipando neste meio tempo um cilindro de deco num cabo, ou trocando com o seu dupla. Eles farão isso e tão somente isto, sem se preocupar em "dominar" primeiro seu equipamento, controlar a flutuabilidade, sua natação estática e seu TRIM, já que isto foi resolvido no curso INTRO TO TECH. Outra coisa legal nisso. Posso ensinar o curso INTRO TO TECH SIDEMOUNT. Todos os fundamentos e habilidades de um mergulhador técnico, na configuração sidemount. Melhor ainda, posso pegar um aluno que é um "recreational sidemount diver", dar o curso INTRO TO TECH SIDEMOUNT, e depois sim fazê-lo seguir no mundo tech com esta configuração que ele já domina bem. E sou absolutamente contra, chego a ter dó, daquele que vai se matricular no seu primeiro curso tech, muitas vezes direto um curso para mergulhar em caverna ou fazer descompressão, e passa na loja e compra um colete de side ou um plate e asa para ir fazer isso direto. Agora vamos ver em diferentes tipos de mergulho técnico, o que é bem legal em cada configuração. O que vou recomendar aqui, é considerando que se optou pelas duplas nas costas, ou usar cilindros na lateral, você já está dominando bem seu equipamento. CONFIGURAÇÃO TECH BACKMOUNT As vantagens:

  • É mais fácil chegar a um bom balanço, basicamente é preciso ajustar bem o seu harness (arreios), para o seu tamanho exato, cortar excessos, rotear e clipar suas mangueiras de forma segura. Pronto.

  • Todos os membros do time chegarão logo, e isso não mudará durante o seu mergulho, a uma mesma configuração, com tudo claramente no seu lugar. E o que seu dupla tem numa posição, você também tem.

  • Para mergulhos diferentes - descompressivo, caverna ou naufrágio - a configuração será exatamente a mesma. Suas mangueiras não mudarão de posição, e até mesmo a troca de acessórios (por exemplo a carretilha primária do mergulho em cavernas, ou o deco marker num mergulho descompressivo), acontecerá colocando o acessório que você substitui para um diferente mergulho, provavelmente no mesmo lugar.

  • Não importa - apesar de você sentir a diferença - se você trocar uma dupla de alumínio por uma de aço. A grande diferença será na sua flutuabilidade, mas ela quase não será sentida durante o mergulho.

  • Se você é realmente uma pessoa pequena, carregar fora d'água uma dupla poderá ser incrivelmente mais fácil que dois cilindros separados (side), já que poderá usar a estrutura de sua coluna e a força de suas pernas, contra os bíceps quando carrega os cilindros de side.

  • Todo o gás útil é usado de forma igual, sendo consumido ao mesmo tempo dos dois cilindros, sem necessitar controles extras para isto no mergulho.

  • Como dito anteriormente, você aprendeu a mergulhar com um cilindro nas costas, então a adaptação ao equipamento técnico backmount será mais rápido.

Adaptação mais rápida, menos cilindros para controlar a sua frente. Imagem Tek Divers Miniatures.

CONFIGURAÇÃO TECH SIDEMOUNT As vantagens:

  • Menor esforço lombar. Indiscutivelmente a possibilidade real de se equipar na água (bem mais difícil com as duplas) pode aliviar muito dores nas costas, e pode realmente ser mais inclusiva, permitindo um mergulhador que jamais faria mergulho técnico, porque teria de carregar o peso das duplas em suas costas, entrar na atividade.

  • Total controle visual e tátil de qualquer vazamento que possa acontecer antes ou durante um mergulho, com rápida solução para isolar e estancar o vazamento. O procedimento é o mesmo após fechar um cilindro vazando, basicamente terminar o mergulho, mas o controle é muito mais rápido, e portanto a decisão de iniciar o retorno para superfície, também.

  • Se por um lado a adaptação exige um curso específico de sidemount antes de encarar o mergulho técnico - qualquer modalidade que seja - e você além disso praticou bastante em águas abertas, você pode usar isso a seu favor, entrando no mergulho técnico com mais experiência na configuração do que quem sai direto de um jacket vest para o mergulho com asa e plate.

  • Ir aonde outros não irão. PONTO. Essa pra mim é a grande vantagem deste brinquedo.

Mais uma historinha para ilustrar este último item. Tenho um grande amigo, o Marcelinho Vendramini. Esse cara foi um incentivador para eu entrar no mergulho técnico, pois fez todos os cursos antes de mim. Eu lembro que ele ia na Acquanauta, dizendo que ia treinar numa pedreira em Sorocaba... Quando me contava o que ia fazer, eu emprestava meus cilindros mas tirava os adesivos da Acquanauta e dizia pra ele: "se for fazer merda, melhor que não apareça o nome da Acquanauta, pois eu não tenho nada a ver com isso". Hoje a gente conta esta história rindo, mas era o final dos 90, e o mergulho técnico tinha realmente as piores histórias, um mundo onde o ego matava mergulhadores, e essa nunca foi nossa praia. Mas um dia ele me convenceu a conhecer mais profundamente, e a minha vida me levou para onde estou agora.

Bem, vou tentar ser resumido. Esse cara olhava um mergulhador de side e só conseguia dizer que aquilo ali era uma m... Como alguém mantinha um padrão de time usando aquilo. Olha como essas mangueiras ficam expostas, tem que ficar trocando de regulador toda hora... e por aí. Como o cara é realmente meu amigo, nunca entrei em discussão com ele, não valia a pena. Mergulhador velho... rsrsrsrsrs.

Então maio do ano passado (2016) fomos para o México mergulhar em cavernas, primeira vez dele naquele paraíso. O Hairo (um dos melhores guias de cave do mundo), depois de ver que todos mergulhavam muito bem no grupo, resolveu levar a galera em um túnel que era um jump sem marcação no cabo. O lugar se chama Swiss Sifon, e claro, o mergulho é SENSACIONAL, apertado, muito decorado, mas que dá para ir de dupla se o time realmente for bom em controle de flutabilidade, trim e deslocamento. Saímos da água e olha o diálogo:

Marcelinho: porra Hairo, que lugar animal! Sensacional! Como é que não levou a gente ali antes? Onde tem mais túneis como este?

Hairo: Bién Marcelinho. Hay mucho más como esto. Pero, solo con sidemount ! Dobles no van a pasar en estos guecos...

Marcelinho, virando e falando pra mim: Reinaldo, vamos sair daqui agora, você vai me ajudar comprar um side, quando chegarmos de volta em Curitiba, você vai me ensinar a usar esta m...

Resultado: saímos da caverna, passamos em uma loja (a Protec de Tulum), compramos um side para ele. Chegando no Brasil ele fez o curso, treinamos em piscina e na Pedreira Deep aqui em Curitiba, e em outubro do mesmo ano (2016) estávamos lá de volta e ele conheceu "outra" Calavera, "outra" Dos Pisos, Catterpillar, "outro" The Pit, e "outras" cavernas! E nunca mais abriu a boca para falar mal do side.

Minha dica é realmente primeiro aprenda a mergulhar em cavernas ou fazer descompressivos, depois passe a fazer isso de sidemount. Novamente imagem da Tek Divers Miniatures.

CONSIDERAÇÕES SOBRE DIFERENTES MERGULHOS COM DIFERENTES CONFIGURAÇÕES.

As considerações a seguir são para depois que você aprendeu a mergulhar nestes lugares, bem orientado, por bons instrutores, em bons e exigentes cursos.

CAVERNAS E NAUFRÁGIOS

Apesar da dinâmica dos mergulhos ser diferentes nestes lugares (leia o artigo no blog intitulado NAUFRÁGIOS X CAVERNAS), eu acredito que realmente a configuração SIDEMOUNT É A MELHOR PARA ESTES AMBIENTES.

Os motivos são claros, controle (e proteção embaixo de seus braços) das torneiras dos cilindros, e a possibilidade de poder mover os cilindros e passar em lugares que não passaríamos com uma dupla, ao menos sem o risco de entalamento e agravar a visibilidade.

Lembrem-se que a técnicas, e os equipamentos de sidemount, foram desenvolvidos para as cavernas. A idéia, as dificuldades, os problemas, e as soluções para isso, foram justamente o que criou o sidemount. Então nada mais justo, e nada mais adaptável para este ambiente que usar cilindros na lateral do corpo. Mas não basta jogar ali do lado, tem que realmente saber usar.

Naufrágios "foram feitos para o side". Na foto, o Instrutor Ricardo Villegas, o "Chango" de Salvador, um dos mais experientes mergulhadores e instrutor de naufrágio, e instrutor de sidemout.

MERGULHOS DESCOMPRESSIVOS EM ÁGUAS ABERTAS

Neste caso eu prefiro usar as duplas. São vários os motivos, e minhas experiências, para sugerir isto.

Primeiro lugar que a maioria destes mergulhos são feitos no mar. E quando o são, este tal de mar se mexe. As vezes muito. Estar num barco balançando, as vezes ter de subir nele em escadas de 90 graus e com muitos degraus, sem poder passar os cilindros pra cima por conta das ondas e correntes. Isso tudo é um trampo que ninguém merece, e pode causar um desgaste até perigoso do ponto de vista de mal descompressivo, dependendo do esforço, fora o risco de se machucar mesmo com uma queda ou prensando seus cilindros de side. É bem mais confortável fazer de dupla.

Outra coisa é que quando você começa a levar cilindros de stage, mais cilindros de deco, na configuração sidemount, você fica na situação de ser um "frontmount" diver, com todos os seus cilindros no seu visual. Para alguns parece uma vantagem, mas tenho realmente visto que não é. Pode e tem gerado mais confusão na troca do gás, no controle de tantos manômetros, e na quantidade de cilindros clipados nos mesmos d'rings laterais e frontais. Some isto onde está colocando suas lanternas, deco, lift, carretilhas... E se você queria os cilindros do lado para passar em alguns lugares apertados, ter transferido alguns para a frente do seu corpo não trás vantagem alguma.

A dupla neste caso mais uma vez, além de mais confortável (você não é o cara lesado da coluna e costas), gera mais confiança e o time todo está com os cilindros de um lado só - assim usamos aqui - e todas as etiquetas marcando o conteúdo de cada gás estão mais visíveis. E QUANDO É UM TECHNICAL WRECK OU TECHNICAL CAVE? Aí meu filho, tem uma vantagem. Se você chegou até aqui, realmente passando uma etapa de cada vez, mergulhando muito entre elas, você já é mais que um "iniciado" e vai escolher de acordo com seu time. Minha opinião neste caso é tanto faz. Até porque o problema do caso anterior - somente mergulhos descompressivos em águas abertas - é reduzido porque você realmente pode clipar seu(s) cilindro(s) de stage e/ou deco em partes da caverna, não levando ele o tempo todo consigo. O mesmo num naufrágio. Com planejamento adequado, e tendo treinado, como diz meu aluno, dupla e amigo Amir Rocco, "até sangrar os dedos", clipar e desclipar cilindros de stage e deco, você fará a coisa certa. Continuo considerando que se for algo que envolva o "tal do mar", que se mexe, as vezes muito, olhe com carinho para as duplas. QUER DIZER REALMENTE QUE UM BOM MERGULHADOR TÉCNICO, TEM DE SABER USAR BEM AS DUAS CONFIGURAÇÕES, E POSSUIR AS DUAS? Advinhou !!!

OS PONTOS CHAVES ATÉ AQUI, QUANDO O ASSUNTO É MERGULHO TÉCNICO:

  • Treine muito antes de encarar o mergulho técnico, com a configuração que você quiser escolher. Converse com seu instrutor. Um bom cara pode lhe ensinar e te ajudar a praticar com o side após um curso ainda recreativo, ou mesmo com duplas antes de iniciar os treinamentos técnicos com você.

  • Aqui na NAUITEC começamos justamente fazendo isto no curso INTRO TO TECH. Outras boas agências tem solução para isto. A IANTD tem o curso Essentials, a GUE tem o curso Fundamentals, a SSI XR tem o Fondations, a TDI tem o Intro to Tech dela.

  • Escolha um bom Instrutor em um bom Centro de Mergulho para a orientação de compra do seu equipamento, preferencialmente onde há mergulho técnico. NÃO É HORA DE COMPRAR O MAIS BARATO SE VOCÊ QUER MESMO SER UM MERGULHADOR TÉCNICO. NUNCA DEU E NUNCA DARÁ CERTO.

  • Especialmente a escolha da compra do colete sidemount, converse com seu instrutor e veja o que o time dele mais usa. Uma compra por impulso num universo com tantas opções que podem mais atrapalhar que ajudar não será um bom caminho para começar uma atividade onde uma das principais regras de segurança é um time coeso do ponto de vista também da configuração de equipamentos

Vou repetir um parágrafo que usei na parte I deste assunto: Claro que alguns colegas Instrutores dirão, muitos pensarão, que tudo isso se equaliza com BOM TREINAMENTO e PRÁTICA. Eles têm razão, sem dúvida. Nenhum equipamento e sua configuração são mais importantes que a peça a qual eles são conectados, o mergulhador e seu cérebro. O que pretendi até aqui é mostrar as reais diferenças nos principais pontos para a escolha de onde seguir e qual escolher. Depois disso, mergulhe muito com seu equipamento, sem antes, se a escolha for o backmount, comprar bem orientado por um Instrutor que use essa configuração, e se a escolha for o sidemount, escolher também um excelente curso.

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO: O assunto sidemount é muito complexo, com muitas diferenças. Isso se dá por conta principalmente de ser uma atividade muito recente no mergulho, de quando saiu de uma técnica de exploradores para o grande mundo da diversão, tanto no mergulho recreativo como no técnico. Então, num artigo futuro, vou expor meu ponto de vista sobre diferentes coletes, características desejáveis, e aqueles que tem se mostrado mais similares entre si, e até mesmo se aproximando do conjunto asa + harness. Sim, isto já está acontecendo, o que é ótimo ! Os dois artigos com o tema BACKMOUNT OU SIDEMOUNT foram escolhidos para falar sobre CONFIGURAÇÃO de equipamentos, no mergulho recreativo e técnico. A intenção é lhe PROVOCAR, sempre, e fazer PENSAR sobre a real necessidade de cada tipo de equipamento e configuração, para que sua escolha seja a melhor para o tipo de mergulho que pretende praticar.

Sugestões e dúvidas, me contate pelo e-mail: reinaldo@acquanauta.com.br.

Bons mergulhos ! Você merece !

por REINALDO ALBERTI

Instrutor de Mergulho Recreativo e Técnico (NAUITEC e IANTD). Treinador de Instrutores. Organizador de cursos e viagens especiais de mergulho. Pai do JR Advanced Diver Enzo. Engenheiro, MSc. MBA em Turismo e Entretenimento. Diretor do Dive Center Acquanauta | Centro de Mergulho.


0 visualização

Endereço
Av. Repórter Nestor Moreira, 01
Mourisco Mar Botafogo,
Escola de Mergulho Coral de Fogo
Botafogo, Rio de Janeiro - RJ
CEP 22290-210

Ligue ou envie uma mensagem

Cel.:       (21) 96515-1629

Horário de Funcionamento
Segunda a Sexta das 9h às 18h